Ação na contramão da estratégia

No que as nossas ações estão contribuindo para a condição e a situação atuais?

por ALCIONE ANTÔNIO SANTIN

Pessoas, famílias e empresas atraem para si uma condição por meio do estilo e do padrão de suas ações. Essa não é uma abordagem que aplica a lei do universo ou coisa parecida, vamos falar única e então somente da provável falta de consciência do quanto nossas ações estão limitando ou até inviabilizando que a melhoria das condições atuais não apareça em nossa vida, mas em especial neste tema, em seu negócio.

Uma pessoa, família ou empresa, que tem como viés decisório a vocação incontrolável de cortar, economizar, não investir nem nas mínimas coisas, se encolher e se apequenar, acha que está economizando e/ou tendo a situação sobre controle, quando, na verdade, vai se imobilizando gradualmente em várias frentes, causando a estagnação e, consequentemente, o declínio. Não é difícil de identificar esse perfil presente em empresas ou áreas e até profissionais, apenas com um olhar externo. Em momentos de crise, um dos grandes cuidados, e que vira uma importante microestratégia de baixíssimo custo, é cuidar para não “parecer” em crise. Não falo de viver de aparência (embora tenhamos muito disso no mundo), mas reforço a importância de cuidar dos detalhes, da imagem e do conteúdo fundamental para tomar as melhores decisões.

Uma condição econômica como a atual tem o poder de tornar isso ainda mais devastador e excluir do mercado pessoas, famílias e empresas. Como esse estilo também planeja pouco, tem dificuldade de enxergar saídas ou oportunidades, e tudo é parte integrante de uma visão obstruída e limitada. Um comportamento contrário a esse estilo vira diferencial nos dias atuais.

Exemplos de ações na contramão da estratégia, que, se evitadas, se transformam em boas e baratas microestratégias:

• Reduzir ou até eliminar estrutura de análise estratégica das operações e do  planejamento por meio do enxugamento da estrutura de apoio para economizar. Realmente passará a economizar algumas centenas de reais, e perderá, sem saber onde, algumas centenas de milhares de reais por agir com baixa assertividade, deixando lacunas e oportunidades para o mercado. Em momentos de dificuldade, investir numa riqueza ainda maior de informações e análises que nos leve a sermos precisos e bem-sucedidos em nossos investimentos e ações é andar para frente e com convicção de ser certeiro;

• Para economizar em deslocamento e encontros de lideranças e equipes, reduz a proximidade e o alinhamento das equipes. Sim, irá economizar, mas o desalinhamento de um time, atuando de forma desintegrada e com baixíssimo conhecimento da estratégia maior conectada à execução local, custará muito mais caro à organização. Dentro das forças internas das empresas, creio que pouco ou nada se assemelhe ao poder de uma equipe energizada e encorajada para superar limites, tendo alinhamento em seus líderes, sendo referência de avançar e realizar;

• Descuidar da apresentação e da aparência física, da limpeza e dos cuidados aos detalhes vão desqualificar profissionais, áreas e empresas que passarão pelo olhar crítico de quem julga o tempo todo, em especial em momentos de bolso mais sensível – sua majestade, o cliente. Isso não supera crise e atrai a piora do contexto.

A lista pode ser muito mais ampla, e espero que sirva de uma boa reflexão para você, em sua área ou sua empresa, poder identificar outros importantes pontos nos quais as ações podem estar contra a estratégia. Transformar numa microestratégia de uma excelente relação custo-benefício.

Forte abraço!

alcione


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