A “política estratégica” é não punir. Então…

A “política estratégica” é não punir. Então…

alcione-santinpor ALCIONE ANTÔNIO SANTIN

O que você prefere (ou pratica) diante de um ou mais erros de  seu liderado: Punir com um diálogo áspero, até mesmo com a  demissão, ou desenvolver?

Temos dedicado este espaço, nas últimas  edições, para aprofundar o diálogo sobre a  importância e a relevância do RH como es  tratégia dentro das políticas de sua empresa.  Não importa o tamanho de sua empresa ou de  sua equipe, se tem gente, tem oportunidade  de implementar uma política de RH que o  diferencie. Nesse tema, as tendências do  passado se confirmaram, e com um requinte  de complexidade ainda maior. A tendência a  qual me refiro falava da mudança das pessoas  sobre o “não se sujeitar mais a determinadas  condições consideradas regras, tratamentos  e políticas”. O tempo passou e a tendência vi  rou realidade, com um enorme grau adicional  de complexidade. E isso acontece, mesmo com  um alto índice de desemprego e uma baixa  qualificação dos profissionais disponíveis,  numa era de evolução tecnológica e de com  portamento de consumo muito aceleradas.

Precisamos completar este tabuleiro de jogo  desafiador. Adicione, então, políticas e estra  tégias de RH muito focadas no operacional, ou seja, na tarefa, e não na pessoa, o  que torna o diálogo de desenvolvi  mento e comportamento muito limi  tado. E complete nosso tabuleiro com  líderes (na maioria ainda) que não se  preocuparam com a mudança; que  não foram preparados; e que não estão  conseguindo atingir seus objetivos  qualitativos de curto e médio prazos,  o que consequentemente comprome  terá a entrega das metas quantitativas  de forma consistente e sustentável.

Não tenho dúvida desse contexto  na maioria das empresas, no qual o  que difere é o estágio dessa situação,  e muitos ainda convivem como se a saída dependesse do lado de fora da  porta da empresa. E, com isso, é re  corrente a conversa sobre não gostar  do quadro de colaboradores que tem,  não de todos, mas de muitos. Que  não são o que gostaríamos de ter. A  verdade é que temos os colaboradores  que temos, e não os que gostaríamos  de ter. Os atuais se tornaram os que  gostaríamos de ter no instante em que  olharmos para este time com um olhar  cuidador, de quem vai movimentar as  peças do seu tabuleiro para ganhar o  jogo, sem perder suas peças.

A grande maioria dos erros não  ocorre intencionalmente, ela ocorre  por falta de orientação e acompanha  mento verdadeiros; ocorre porque  alguém deveria ter-lhe mostrado a  importância daquele processo no contexto do todo; ocorre porque a pessoa não foi preparada para entender o  significado maior do trabalho que está executando. Um  vendedor não vende produtos, leva informação, solução,  interesse verdadeiro e interatividade com seus clientes; o  repositor não coloca simplesmente a mercadoria na gondola, mas sim expõe produtos de maneira estratégica que  chamará a atenção dos clientes; o caixa do supermercado  não (passa) cobra a compra dos clientes, finaliza uma  experiência de compra que precisa valorizar cada real  gasto, pois, na sua maioria, é fruto de um trabalho nobre  e árduo (como o dele, o caixa); um líder não é chefe de um  grupo de pessoas, mas sim aquele que está responsável  em cuidar, desenvolver e inspirar a sua equipe a fazer o  seu melhor continuamente!

Então, punir não irá resolver o problema. A paciência  para conversar, convencer, desenvolver e encantar colaboradores é o nosso desafio e a nossa melhor opção. Um  ano de dedicação nesse formato de 100% da liderança  de uma empresa pode mudar para sempre a forma e o  conteúdo de como cuidamos das pessoas que trabalham  conosco. Um exemplo que gosto muito é da grife sueca  Ikea (www.ikea.com). A forma como essa empresa lida  com os erros, não apenas de pessoas, vem fortalecendo  a empresa e a estratégia ao redor do mundo.

Lembre-se, temos os colaboradores e líderes que temos;  nós os escolhemos. Eles se tornarão os que desejamos se  nós os ajudarmos a chegarem lá! Orientando, cuidando,  desenvolvendo e inspirando!

Forte abraço!!!


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