A esperança de dias melhores

“Otimismo é esperar pelo melhor. Confiança é saber lidar com o pior.” Esta frase, do empresário Roberto Simonsen, talvez ilustre bem o momento econômico atual e a percepção da sociedade. Diante da crise econômica, foi gerado no Brasil um otimismo que nada mais é que esperar algo melhor no futuro, que podemos traduzir como esperança. Mas, ao mesmo tempo, a confiança também foi algo desenvolvido na sociedade brasileira, já que nos preparamos para algo ainda pior. É importante ter confiança para enfrentar o atual momento econômico, mas sem perder o otimismo de que dias melhores virão.

A tragédia econômica anunciada ao longo dos últimos anos, que foi totalmente negligenciada pela gestão da equipe econômica do governo Dilma, gerou resultados catastróficos para a economia brasileira. Para ilustrar com algumas informações relevantes, temos: i) elevação do desemprego, com mais de 11 milhões de desempregados; ii) estagnação do PIB brasileiro; iii) retração do PIB per capita; iv) inflação em elevação e persistente; v) desaceleração na melhoria da distribuição de renda brasileira; vi) elevação do déficit fiscal; vii) elevação da dívida pública em relação ao PIB; e viii) rebaixamento da nota do país pelas agências de classificação de risco. Essas são apenas algumas das mazelas alcançadas pela política macroeconômica descoordenada da equipe econômica do governo federal na gestão do governo Dilma.

A sociedade quer que a economia saia da crise, a sociedade quer que os impostos não se elevem e a sociedade quer que sejam reduzidos os gastos, e que tais gastos sejam mais eficientes. E esse desejo da sociedade e seu alcance dependerão da força de articulação do governo federal e da nova equipe econômica na condução dessas discussões junto ao Congresso Nacional.

O mais importante, neste momento, é que as ações por parte da equipe econômica sejam simples, eficazes, compreensíveis e passíveis de tramitação e aprovação no Congresso, pois isso garante, por algum período, a elevação do otimismo da sociedade, na atual equipe econômica do governo federal, e o otimismo, inclusive no governo federal.

Talvez os resultados esperados levem um pouco mais de tempo do que a sociedade deseja e do que era esperado. Mas talvez seja o tempo necessário para que haja um maior amadurecimento dessas propostas junto ao Congresso e à sociedade brasileira. Os primeiros resultados vislumbram um cenário de que o fundo do poço já chegou ou está bem próximo.

Por exemplo, o PIB já aponta sinais de redução da queda expressiva verificada ao longo dos últimos 24 meses; o desemprego ainda se eleva, mas em ritmo menor ao verificado ao longo de 2015; a inflação ainda demonstra sinais de resistência, mas a níveis inferiores do verificado em 2015; melhora no ambiente de confiança na busca de incentivar o investimento privado; e interlocução com o setor produtivo para entender as demandas diversas de cada setor. A junção de todos esses fatores tem proporcionado relativa elevação da confiança por parte do empresariado, mesmo que momentâneo. E isso poderá auxiliar na saída mais rápida da profunda crise econômica.

Contudo, vale ressaltar que essa relativa calmaria pode se reverter, caso os resultados diretos das ações não se traduzam em melhoria nas condições de vida da população, principalmente no que se refere ao aumento do emprego, à elevação da renda e à redução da inflação, que tendem a elevar novamente o poder de compra da população, com reflexos positivos na qualidade de vida das famílias. O tempo passa e o governo federal necessita aproveitar a elevação do otimismo dos empresários e a relativa esperança da sociedade para realizar as mudanças reais no rumo da política econômica e trazer de volta o crescimento econômico.

rodrigo1


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