A competitividade brasileira e a eficiência operacional do seu negócio - SuperVarejo
A competitividade brasileira e a eficiência operacional do seu negócio

A competitividade brasileira e a eficiência operacional do seu negócio

por Thiago Berka*

*Graduado em Economia pela UFSC e em Administração pela Univali, com MBA em finanças pelo IBMEC, é economista da APAS

O crescimento de 1% divulgado pelo IBGE para 2017 representa o início da recuperação cíclica que o país deve manter para os próximos dois anos (cresceremos cerca de 3% em 2018). Porém, os estragos na economia e na competitividade nacional, após uma das piores crises que passamos (o PIB caiu 7,3% em 2015 e em 2016), ainda perduram em todos os segmentos do país.

Para verificar isso, ao analisar uma série de rankings de competitividade e produtividade, divulgados por várias entidades, o que se constata é que estamos ficando cada vez mais na lanterna do mundo quando se trata do nosso ambiente de negócios, deixando passar uma série de oportunidades para alavancarmos nossa economia e alçarmos, finalmente, como país de renda alta e desenvolvido.

Vamos analisar alguns dados: a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, neste ano, que somos o penúltimo colocado dentre 18 países de características semelhantes à nossa, ou seja, exatamente aqueles que disputam espaço internacional por investimentos. Dos dez fatores avaliados, que envolvem custos e disponibilidade de mão de obra e capital, peso de tributos, mercado internacional e macroeconomia, ambiente de negócios, infraestrutura, educação, tributos e tecnologia, estamos no terço inferior em sete deles.

No ranking de produtividade do trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV) que avalia quanto o trabalhador brasileiro gera de riqueza por hora trabalhada, estamos em 50º lugar entre 68 economias. Produzimos apenas US$ 16,80 por hora trabalhada, enquanto a líder do ranking, a Noruega, produz US$ 102 e trabalha 102 horas a menos por ano.

Finalmente, quando avaliamos o ranking mais conhecido, o do Fórum Econômico Mundial, que envolve boa parte dos países do mundo e mais de 150 variáveis de avaliação, não é muito diferente. Ele permite observar como é dramática a situação nacional: depois de ocuparmos a 48a posição em 2012, em apenas cinco anos caímos para a 80a posição.

Se o país está decaindo e mantém-se com dados ruins na sua economia e competitividade, o reflexo é enorme nos negócios, incluindo o varejo. Mas isso não pode servir como desculpa para internamente não sermos os melhores em eficiência e competitividade diante dos concorrentes. De fato, em um cenário desses, nunca foi tão imperativo gerenciar o estabelecimento, cumprindo à risca métodos de gestão avançados e com metas arrojadas para toda a equipe de loja, do comercial à operação. Assim, é possível garantir a sobrevivência do negócio e manter margens saudáveis e sustentáveis.

Isso significa que, apesar de a nossa produtividade por trabalhador ser uma das piores do mundo, nosso negócio deve ter o melhor faturamento por colaborador da região e, por que não, do estado. Se o ambiente de negócio macroeconômico, tributário e jurídico é ruim, isso mostra que o varejo deve ter o maior valor faturado por check-out e metro quadrado para ter perenidade e força. Só assim resistirá aos gargalos externos e poderá fazer cada espaço gerar dinheiro. A margem líquida do varejo alimentício é, em média, de apenas 1,81%. Mas há empresas que chegam a ter 6% e 7%. Internamente, nada nos impede de sermos classe mundial nos indicadores operacionais e 2018 é o ano para iniciar essa jornada, na esteira da recuperação econômica que o Brasil finalmente projeta ter, após três anos tão difíceis.


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