A bola de cristal, que nunca existiu, quebrou

A bola de cristal, que nunca existiu, quebrou

Rodrigo MarianoPara o atual momento no Brasil, não há frase mais oportuna diante das constantes mudanças no cenário político com impactos incalculáveis para a economia brasileira. De fato, em um mundo de rápidas transformações, é difícil fazer previsões de médio e longo prazo, que possam ser escritas na pedra, sem qualquer tipo de revisão ou ajustes. Mas é importante este exercício de pensar o amanhã e olhar por cima do muro e, ao menos, tentar enxergar o que está do outro lado, o que está à frente.

Todos os indicadores da economia brasileira sinalizavam para um cenário econômico mais favorável para o último trimestre de 2017 e para o ano de 2018. A confiança de empresários e consumidores dava sinais de melhora consistente, o que traria de volta, em algum período não muito distante, a retomada dos investimentos e do consumo.

Mas, às 19 horas e 30 minutos do dia 17 de maio de 2017, os noticiários deflagravam um novo cenário para a política, e, consequentemente, para a economia do Brasil, colocando em xeque todos os avanços e todas as dificuldades do ponto de vista econômico, enfrentadas ao longo dos últimos meses. Assim, ficaram mais difíceis as previsões acerca da economia brasileira, ao menos no curto prazo. E, diante disso, a “bola de cristal” que nunca existiu quebrou.

Esses acontecimentos reforçam a necessidade da sociedade brasileira discutir um Brasil do futuro, discutir um país para a eternidade e que, de fato, seja priorizado o crescimento econômico sustentado e de longo prazo, e não mais os espasmos de crescimento de curto prazo que temos verificado na economia brasileira ao longo dos últimos anos. Temos nos contentado com pouco, e esse pouco não vale para um país como o Brasil, que sempre foi considerado o país do futuro, mas de um futuro que nunca chega!

O futuro do Brasil dependerá da nossa capacidade de articular e apoiar as reformas estruturais necessárias, independente de ideologias, partidos, cren- ças ou desejos pessoais e imediatistas. As reformas trabalhista, previdenciária, política e tributária são condições fundamentais e necessárias para a busca por uma economia que promova o crescimento econômico com melhoria no bem-estar e na qualidade de vida da população.

No curto prazo, a economia tende a se ajustar. Talvez, o que imaginávamos que melhoraria no último trimestre de 2017 seja postergado para o primeiro semestre de 2018. Mas, de modo geral, a economia tende a tomar fôlego diante das aprovações das s trabalhista e previdenciária, que, aliadas ao esforço da equipe econômica, tanto do Ministério da Fazenda quanto do Banco Central do Brasil, proporcionarão um ambiente, do ponto de vista econômico, mais favorável. Soma-se a isso, o papel fundamental do BNDES na promoção e no fomento à iniciativa privada, com financiamento às empresas.

Resta apenas a resolução das questões políticas e de caminhar rapidamente com as investigações que envolvem os casos de corrupção sistêmica no Brasil e as devidas punições. Mas, nem com todos os esforços, a corrupção conseguirá destruir o Brasil, que se demonstrou, por meio da preservação das instituições, ser muito mais forte.

E, para além das previsões de curto prazo, precisamos olhar para a frente, para o longo prazo da economia do Brasil, pois é lá que mora o futuro da sociedade brasileira.


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